Maior pesquisa mundial sobre mudança climática mostra apoio a mais ações | Land Portal
Pnud/Stéphane Bellero. Maior parte da população apoia investimento em setores menos prejudiciais para o meio ambiente
 
Segundo novos dados, 64% dos entrevistados acreditam que clima é uma emergência global; Brasil e Moçambique integram pesquisa; Nações Unidas dizem que 2021 é ano crucial para os compromissos de ação climática.  
 
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, publicou esta quarta-feira os resultados da maior pesquisa global sobre mudança climática.  
 
As conclusões do estudo, com o nome "Votação do Clima dos Povos", representam a opinião de mais da metade da população mundial. Cerca de 64% dos entrevistados acreditam que a mudança climática é uma emergência global.  
 
Tobin Jones/ONU
Segundo a ONU, 2021 é um ano crucial para os compromissos de ação climática, Foto ONU/Tobin Jones
 
Importância 
 
A pesquisa, em parceria com a Universidade de Oxford, cobre 50 países com mais da metade da população mundial. Também inclui mais de 500 mil pessoas com menos de 18 anos, uma população importante para este tema que, normalmente, não tem poder de voto.  
 
Em muitos países participantes, é a primeira vez que uma pesquisa de opinião em grande escala é realizada sobre o tema. 
 
Segundo a ONU, 2021 é um ano crucial para os compromissos de ação climática, com novas negociações na Conferência da ONU sobre Mudança Climática, COP- 26, que terá lugar em novembro, em Glasgow, no Reino Unido. 
 
Resultados 
 
Os resultados da pesquisa mostram que as pessoas desejam políticas climáticas mais abrangentes. 
 
Em oito dos 10 países pesquisados ​​com as maiores emissões do setor de energia, por exemplo, a maioria das pessoas apoia mais energia renovável. 
 
Em quatro dos cinco Estados-membros com as emissões mais altas relacionadas com uso do solo, cerca da metade é a favor da conservação de florestas e solos. E nove em cada 10 nações mais urbanizadas tem cidadãos que defendem o uso maior de carros e ônibus elétricos ou bicicletas. 
 
Entre as políticas mais citadas, estão a conservação de florestas e solos, 54%, investimentos em energia renovável, cerca de 53%, adoção de técnicas agrícolas favoráveis ​​ao clima, 52%, e investimentos em negócios e empregos menos poluentes, cerca de 50%. 
 
Peter Hove Olesen/Unisef
© Unicef/Peter Hove Olesen
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Lusófonos 
 
Dos países de língua portuguesa, apenas Brasil e Moçambique aparecem na lista. 
 
No Brasil, 51% das pessoas querem mais investimentos em negócios e empregos menos poluentes conhecidos como “verdes”. E 60% dos entrevistados brasileiros pediram maiores esforços para proteger a terra e as florestas. 
 
Moçambique fez parte do grupo de nove países da África Subsaariana pesquisados, junto de nações como África do Sul, Uganda e Nigéria. 
 
Nesse conjunto, as políticas mais populares são energias renováveis, 53%, negócios e empregos “verdes”, 52%, e conservação de terras e florestas, também com 52%. 
 
PMA/Rafael Campos
Beira, em Moçambique, tem sido muito afetada por mudança climática, PMA/Rafael Campos
 
Caminho
 
Em comunicado, o administrador do Pnud, Achim Steiner, disse que “os resultados da pesquisa mostram que a ação climática urgente tem grande apoio entre as pessoas ao redor do mundo, em todas as nacionalidades, idade, gênero e nível de educação.” 
 
Mais do que isso, a pesquisa indica como o povo quer que seus representantes atuem. Steiner diz que o estudo “destaca maneiras de os países seguirem em frente, com apoio público, enquanto enfrentam este enorme desafio." 
 
Grupos 
 
A pesquisa mostra uma ligação direta entre o nível de educação de uma pessoa e seu desejo por ações climáticas. Em regra, pessoas com nível universitário têm um reconhecimento mais alto da emergência climática. 
 
Essa situação acontece em países de baixa renda, como República Democrática do Congo, onde 82% dos entrevistados com terceiro grau reconhecem a emergência, até países ricos como a França, onde a porcentagem é de 87%. 
 
Quando se trata de idade, os mais jovens apoiam mais a ação do que os mais velhos, mas a diferença não é muito grande, indo dos 65% entre pessoas dos 18 aos 35 anos a 58% entre entrevistados acima de 60. 

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